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sexta-feira, 24 de abril de 2009

OFERENDAS


A TEOLOGIA DAS OFERENDAS


Tudo isso explodiu no Cristianismo sem dificuldades ou óbices de qualquer espécie. Cristo nunca se referiu à fundação de nova religião, nem insinuou uma vez sequer uma separação do judaísmo.

Os Apóstolos e os primeiros cristãos continuaram freqüentando o templo e as cerimônias litúrgicas dos judeus (Lc 24,53; At 2,46; 3,1 etc.). O próprio Jesus dissera:

"Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um "iota", nem um "til" da Lei, sem que tudo seja realizado" (Mt 5,17-18).

Por causa dessa afinidade e continuidade, todo o aculturamento religioso que não conflitava com a doutrina de Cristo penetrou nos rituais litúrgicos da Igreja. Principalmente na Fração do Pão, a Eucaristia, de que os sacrifícios israelitas eram "figura" (1 Cor 10,6.11; Rm 15,4; Hb 9,24; Gl 4,24-26):

"Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56).

"...Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.' Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim" (1 Cor 11,23-25).


Jesus se apresenta como a vítima, a própria oferenda, a essência de todo o sacrifício e desde o Antigo Testamento fonte da comunhão do Homem com Deus. Quando anuncia a Ceia Eucarística (Jo 6) os judeus arrepiam-se ao ouvirem-no falar em "comer a sua carne" e "beber o seu sangue".


Compreenderam, aculturados tal como seus antepassados, que Jesus seria a vítima ou hóstia do sacrifício (Jo 6,69). Da mesma forma sentiram profunda aversão, culturalmente comprometidos, com a modificação em "beber o sangue", o que lhes fora sempre vedado (Lv 12,16.23). O sangue era considerado "a sede da vida":

"Porque a vida da carne está no sangue. E este sangue eu vo-lo tenho dado para fazer o rito de expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue que faz a expiação pela vida" (Lv 17,11).

Já os primeiros cristãos compreenderam que o sacrifício que lhes era entregue era o de comunhão, pois dele comeriam todos, tal como na refeição sagrada, e ao "beberem o sangue" beberiam a "Vida de Cristo". Tanto é assim que São Paulo o compara com os sacrifícios pagãos distinguindo-os do sacrifício israelita (1 Cor 10,14-20). Destaca além do caráter sacrificial dele, também o caráter sacramental pela "comunhão com o corpo e com o sangue do Senhor" (1 Cor 10,16), dEle recebendo a vida divina, a graça:

"Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim..." (Jo 6,57).

Receber a Vida de Cristo é santificar-se, "cumprindo em plenitude o que os sacrifícios antigos prefiguravam" (Hb 9,9-14). Jesus vincula o seu sacrifício à Aliança do Sinai (Ex 24,8), "cumprindo-a" (MT 5,17-18):

"Este é o Cálice da Nova Aliança em meu Sangue..." (! Cor 10,25).

"Este é o Sangue da Aliança que Iahweh fez conosco..." (Ex 24,8).

Assim, cada vez que se celebra a Eucaristia e se come e se bebe o corpo e o sangue do Senhor, o sangue dEle é aspergido em todo o "corpo místico de Cristo", a Igreja (Ef 1,22-23; Col 1,18), "santificando-o". "Perpetua" a Aliança de Moisés (Ex 24,8) e o "sacrifício da cruz" (Sacrosanctum Concilium n.º 47). Jesus é o "Santo de Deus" (Jo 6,69).


Não há um só elemento “em figura” nos sacrifícios israelitas que não esteja “em plenitude” no Sacrifício da Eucaristia. Para Ela é que se convergem, da mesma forma, as oferendas, não mais como a herança de uma tribo ou sacerdotal, mas a herança do Corpo Místico de Cristo em toda a plenitude. É também, até mesmo pela simples entrega delas, a unificação de todos, material e es-piritualmente, santificando-se na oferenda consagrada, ao comer cada um e todos a hóstia (=vítima) santa, antecipando-se o Banquete Messiânico (Lc 22,18; 1 Cor 11,26) da Comunidade Eclesial en-tão formada, pela manducação do Corpo do Senhor. Jesus é a própria oferenda, não como entre os Israelitas onde Deus se significava nela para alimentar uma tribo; agora é o próprio Jesus Res-suscitado, o Filho de Deus Vivo, o Santo de Deus, que alimenta o Seu Próprio Corpo, unificando-O e santificando-O:

"Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão ... aqueles que comem as vítimas sacrificadas não estão em comunhão com o altar?" (1 Cor 10,17).

Com as oferendas depositadas no altar durante o Ofertório, na consagração da hóstia, atinge-se a comunhão com Deus e com os irmãos, no Corpo Místico de Cristo e recebendo o próprio Cristo, no corpo e sangue, o cristão volta a refletir a "imagem de Deus" perdida pelo pecado:

"E nós que, com a face descoberta refletimos como num espelho a Glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente, pela ação do Senhor, que é Espírito" (2 Cor 3,18).

De tudo o que foi exposto conclui-se que a oferenda é um culto a Deus, a participação do “trabalho humano”, tal como se diz no início da Missa, na constituição material da vítima (=hóstia) consagrada, a oferenda santa por excelência, o próprio Corpo e Sangue de Cristo, a essência do sacrifício, a unificação, centro e ápice da comunhão e santificação da Igreja, em plenitude. Com a oferenda se participa na Obra de Santificação de todo o mundo pela santificação de uma parte. É ser vítima consagrada com Cristo, em união plena e indissolúvel. Faz-se parte de toda a atividade da Igreja tal como o Catecismo enseja, participando de toda a satisfação das “necessidades dela, de forma que ela possa dispor do necessário para o culto divino, para as obras apostólicas e de caridade e para a honesta sustentação de seus ministros”. Além de vítima ou hóstia o fiel deve ter consciência da sua participação também em todo ato litúrgico, tanto nos demais sacramentos, onde está presente materialmente com o fruto dos rendimentos de seu trabalho, bem como em toda e qualquer obra da ou ato Igreja, sem outro interesse que a comunhão com Deus, nunca a espera de qualquer recom-pensa ou fortuna. Não é um negócio que faz com Deus, é um ato litúrgico, um culto.


sábado, 29 de novembro de 2008

Advento


O Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.


Origem


A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, quando no ano 380, o Sínodo de Saragossa prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal. Na França, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal e, em Roma, o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os
séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal.
No final do século IV na
Gália (atual França) e na Espanha, tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecumenos para o batismo na festa da Epifania.
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto
escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só mais tarde é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a
liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Surgido na
Igreja Católica, este tempo passou também para as igrejas reformadas, em particular à Anglicana, à Luterana, e à Metodista, dentre várias outras. A igreja Ortodoxa tem um período de quarenta dias de jejum em preparação ao Natal.


O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo.
Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de fato se
encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15).
O Advento recorda também o Deus da
Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.
O caráter missionário do Advento se manifesta na
Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

Espiritualidade do advento


A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia (volta) do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à
conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo, não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, lutando incessantemente contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus e não dos bens terrenos. Pobreza que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.


Símbolos do Advento

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento.

A coroa pode ser, colocada ao lado do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

A coroa de advento

Origem: A Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, se acendiam algumas velas que representavam ao “fogo do deus sol” com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios costumes para anunciar-lhes a fé. Assim, a coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos:

A forma circular
O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.

As ramas verdes
Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva volta.

As quatro velas
As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No inicio, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Nos recorda a experiência de escuridão do pecado. A medida em que se vai aproximando o Natal, vamos ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, em meio de nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, quem dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei David que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

As cores das velas do Advento são:Roxa,Vermelha,Brancae verde.
Fonte: Wikipédia

Advento


O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos.
Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após a morte.
Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim... Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.
Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação. Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, "a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo", está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Catequese

Homilia da Solenidade de S. Pedro e S.Paulo
Pe. Luiz Carlos de Oliveira, redentorista


Os pilares da fé cristã


Jesus “escolheu 12 apóstolos para estarem com Ele e irem evangelizar” (Mc 3,14). É certo que todos eles foram grandes homens. A comunidade fixou mais as figuras de Pedro e Paulo por serem como que uma síntese de tudo o que foi realizado no anúncio do Evangelho. Sua pregação sempre se fundou sobre Jesus, a pedra angular (Mt 21,42). Chamamos Pedro e Paulo de pilares porque, em dois mundos diferentes e por caminhos diferentes, realizaram a mesma missão: formar a Igreja de Cristo nos povos.

“Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da salvação” (Prefácio). Pedro é mais conhecido que Paulo. Por outro lado, Paulo é mais apreciado pela palavra que nos deixou. Pedro era o homem simples, arrojado, cheio de toda gama de sentimentos. Paulo é o rabino, teólogo eloqüente, criativo e corajoso. Pedro é popular porque sua vida é como a de muita gente, um homem do povo.

Paulo é mais exigente intelectualmente, sendo mais fácil às pessoas de estudo. É mais fácil falar de Pedro. Mas, na tradição das Igrejas, tanto do Oriente, como do Ocidente, os dois apóstolos sempre foram celebrados juntos. São dois mundos, mas a mesma missão. Rezamos no prefácio: “Ambos trabalharam, segundo sua graça, para reunir a única família de Cristo”. No chamado Concílio de Jerusalém, os apóstolos enfrentaram a situação pastoral e deram uma resposta ousada: são capazes de dividir a Igreja em dois mundos diferentes: de um lado os judeus com sua tradição, do outro os pagãos. Nós tememos tocar em migalhas. Eles dividem entre si a evangelização do mundo. Por que tanta coragem? Não pregavam um rito, um punhado de palavras, mas Jesus que estava vivo e queria a todos vivos. Assim crescem dois galhos frondosos: os filhos Israel e os vindos do paganismo, unidos pela única caridade e a mesma fé. Quanto faz falta à Igreja essa ousadia! Chegaremos lá.


Dois mártires, o mesmo martírio


Pedro foi preso por Herodes que queria matá-lo depois da Páscoa. Foi libertado pelo Anjo. O Senhor mandou seu anjo e o salvou das mãos de Herodes (At 12,1-11). Herodes Agripa I (neto do Herodes do nascimento de Jesus) queria cortar a cabeça da Igreja nascente. O Anjo libertou Pedro. Paulo faz a mesma experiência da presença de Deus: “O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim e ouvida por todas as nações, e eu fui libertado da boca do leão” (2Tm 4,17). Pedro reconhece a comunidade que participa também destes desafios: “Não vos alarmeis com o incêndio que lavra entre vós” (2 Pd 4,21) - a perseguição. O martírio dos santos é um estímulo à constância na fé e no desejo de testemunhar, pois o Senhor está também conosco.


Comunidades apostólicas


As comunidades dos apóstolos passaram por graves desafios. Os apóstolos os enfrentaram e resolveram. Imaginemos a decisão de criar dois mundos na Igreja: os vindos do judaísmo continuavam com suas tradições, os que vieram do paganismo, construíam seu modo de ser. Hoje, quais são os desafios que estimulam a Igreja? A unidade não está em fazer tudo igual, mas fazer com a mesma fé aquilo que nos difere no mundo. Paulo enfrentou Pedro e corrigiu suas atitudes. Hoje, quem sabe, falta a coragem corrigir os erros para estarmos juntos no essencial e não defendendo pequenas coisas, enquanto o mundo continuando sedento e faminto de Deus. Celebrar Pedro e Paulo é uma festa e um desafio.Leituras: Atos 12,1-11;2Timóteo 4,6-8.17-18; Mateus 16,13-19.

Ficha nº 722 -Homilia da Solenidade de S. Pedro e S. Paulo (29.06.08)

1. Pedro e Paulo se destacam no grupo dos apóstolos como representantes de uma grande ação evangelizadora. São pilares da Igreja, fundada sobre Jesus. Paulo evangelizou o mundo pagão e Pedro, os judeus. Pedro é mais conhecido por ser mais popular. Paulo, mais profundo, teólogo. As Igrejas sempre os celebraram juntos. Eles se fundam no em sua fé e amor a Jesus Cristo.

2. Sua vida dedicada a Cristo levou-os ao martírio. Em seus padecimentos, por causa da pregação, se identificaram com Cristo. Eles têm sempre a certeza de que o Senhor esteve sempre a seu lado. Os cristãos são chamados a viverem a mesma fé, esperança e fortaleza no sofrimento. Sua festa é também um estímulo.

3. As comunidades dos apóstolos passaram por grandes desafios. Enfrentaram e resolveram. Imaginemos a decisão do Concílio de Jerusalém que divide o mundo em duas partes: os judeus e os pagãos, cada um seguindo seu caminho em Cristo. Isso aconteceu, não sem dificuldades. A unidade não está em fazer tudo igual, mas com a mesma fé naquilo em que somos diferentes. Hoje brigamos por pequenas coisas e até nos descuidamos do essencial.


Dois Guerreiros e uma batalha


Pedro e Paulo, por caminhos diferentes, colocam os fundamentos da Igreja sobre a Pedra Angular, Jesus. Trabalharam em mundos diferentes. Pedro juntos aos judeus, e Paulo, junto aos pagãos, formaram a única família de Cristo. Pedro faz a maior profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”. Por que é grande? Porque lhe foi revelada pelo Pai. Sua fé, dom de Deus, é a resposta de todos nós a Deus. Aí se funda a Igreja que cresce e produz frutos. Nem o inferno inteiro pode vencê-la. O Senhor esteve sempre ao lado de Paulo, por isso combateu o bom combate, completou a corrida e guardou a fé. Jesus deu a Pedro deu as chaves do Reino dos Céus. Todos os que têm fé estão unidos à fé desses homens guerreiros do Reino.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Teatro


Missões com alegriapor Cida Martins14/02/2006

PERSONAGENS: Coração - Irmão 1- Termômetro - Irmão 2 - Fé - Irmão 3 - Dona Oração - Irmão 4 .


Dirigente do culto Para esta peça não é necessário cenário, apenas fantasias para o Termômetro, para o Coração para Fé e a Dona Oração se for necessário. Estes personagens devem ser muito engraçados e tirar o máximo proveito dos seus figurinos e gestos exagerados. Lembre-se, é uma peça cômica.

DIRIGENTE: Irmãos, como vocês sabem, hoje é o dia escolhido para a segunda arrecadação de ofertas para missões. Então vamos ler nossa divisa: Rm 10:14 e 15a (Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele que não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados.) Antes de cantarmos o hino e os irmãos trazerem suas ofertas até o gazofiláceo, gostaria que ouvíssemos uma história que tenho certeza, já fez parte de nossa vida em algum momento nesta ou em outra igreja. Então eu chamo aqui, o nosso Coração. (Entra o Coração e atrás dele entra também o Termômetro.) DIRIGENTE: Meu Deus!, ele trouxe um visitante, vamos ver no que isso dá!

TERMÔMETRO: Coração, você tem certeza que hoje eu vou esquentar mesmo?...

CORAÇÃO: Claro que vai, hoje é o dia determinado para a oferta de missões e as pessoas desta igreja já conhecem o bastante sobre missões para poder ofertar. Também, viram uma esquete de teatro, poesia e ouviram até missionários.

TERMÔMETRO: Sei não Coração! Tá me dando um friozinho na barriga.

CORAÇÃO: Você também é negativo heim!!! Eu duvido que as pessoas sejam assim tão geladas como você está. (O marcador do Termômetro está abaixo de zero)

TERMÔMETRO: Não é Coração!; houve época em que eu me esquentava mais, sabia? Mas de uns tempos para cá os meus graus foram baixando, baixando, baixando...

CORAÇÃO: Ah! Termômetro deixa de ser pessimista. Hei, olha lá! Está chegando dois irmãos e aposto que estão falando de missões, você vai ver seu marcador subir já, já.

TERMÔMETRO: (Duvidando) Espero. A cena dos diálogos dos “irmãos” acontece em um plano diferente, onde não há relação deles com os demais personagens. (Os irmãos entram conversando em “off” e de repente um fica exaltado)

IRMÃO 1:Duzentos reais?!! Vai ofertar tudo isso? (O Termômetro que está mais do lado, fica todo entusiasmado e o seu marcador vai até as alturas.)

TERMÔMETRO: “Orra meu”! Duzentos!?

CORAÇÃO: (Todo alegre) Eu não disse, eu não disse!!!

IRMÃO 2: Não!!!, foi minha mulher (marido) que sugeriu esta quantia só porque estou de férias e recebi a mais. Porém, ela (ele) se esquece que no mês que vêm as contas são as mesmas e o salário é totalmente diferente. (Enquanto ele fala, o Termômetro vai esfriando e fala para o Coração todo triste:)

TERMÔMETRO: Pensei que fosse hoje.

CORAÇÃO: Também pensei.

IRMÃO 1: É irmão, cada um sabe onde o calo aperta. Mas você esta pensando em doar quanto? IRMÃO 2: Estou pensando em doar uns R$ 30,00 reais, juntando com os demais é uma boa ajuda, você não acha que tá bom?

IRMÃO 1: Ah!... não sei, você é que sabe.

IRMÃO 2: E você vai doar quanto?

IRMÃO 1: Bem... está difícil, estou até sem dar o meu dízimo porque o dinheiro não está dando nem para pagar as contas.

IRMÃO 2: Mas você não ganha bem?

IRMÃO 1: Como te contei, meu filho ficou me enchendo até me fazer colocar Speed somente para entrar na internet mais rápido e ainda por cima troquei de carro no mês passado; sem falar da minha mulher que está doente e tem gastado tanto com remédio. Por aí se vai, o dinheiro some. (Os dois saem falando sobre missões.)

IRMÃO 1: Missões precisa tanto de ajuda, mas ultimamente anda difícil fazer uma boa oferta. IRMÃO 2: Verdade.

TERMÔMETRO: Não disse Coração, a situação está preta.

CORAÇÃO: Sabe Termômetro no dia que passou aquele filme sobre missões fiquei tão comovido com aquelas cenas das pessoas perdidas por este mundo a fora, com sede e fome de algo que eles não conhecem. Pensei que fosse explodir de tanta comoção, por isso tinha certeza de que hoje você esquentaria. São tantos precisando conhecer a misericórdia de Deus!

TERMÔMETRO: Ah! coração, não fique triste, talvez eles tenham esquecido aquele versículo de Miquéias 6:8 (fala com muita ousadia) “Ele te declarou, ó homem, o que é bom. E o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?

CORAÇÃO: Sei não Termômetro, ainda tenho esperança. Ei, olhe lá, está chegando mais alguém! TERMÔMETRO: Ah, é a Fé. E aí Fé, está sendo muito exercitada para missões?

FÉ: (Olhando para o marcador dele) Não Termômetro, acho que estou igual a você, em baixa. (Olha para o Coração espantada) Porque o coração esta triste.?

TERMÔMETRO: É que falei para ele que as ofertas este ano está difícil, mas ele acha que só porque viu e ouviu algumas coisas há alguns meses atrás, ia ficar cheio de compaixão pro resto da vida.

FÉ: Ah, Coração, você nunca aprende heim.! Você não sabe que o que os olhos não vêem você não sente?!

CORAÇÃO: É que as vezes esqueço que sou vulnerável. Muitos sentimentos em mim passam tão rápidos. FÉ: (Olhando longe) Então, não fique triste. Olha está chegando mais dois, vamos ver se você acerta desta vez.

CORAÇÃO: (Com certo entusiasmo) Quem sabe nós dois juntos faríamos esse Termômetro esquentar, heim dona Fé?!

TERMÔMETRO: Gostei da idéia. Talvez eles se lembrem daquele versículo de II Pedro 1:5 parte a: “Por isso mesmo façam o possível para juntar a bondade à fé que vocês tem.”

FÉ: Ou àquele em Tiago 2:17: “Portanto a fé é assim, senão vier acompanhada de ações, é coisa morta.”

CORAÇÃO: Ei, não tem um versículo com a palavra coração?

TERMÔMETRO:(Todo metido a sabidão) Eu sei hum!!!

FÉ: Agora não, pois está chegando gente, depois você fala. (Os dois irmãos que estão entrando pelo corredor, vem bem devagar conversando sobre futebol, quando estiverem próximos do púlpito, o 3O Irmão fala assustado:)

IRMÃO 3: Só R$ 10,00 reais irmão??!! (O Termômetro ficará mexendo o marcador sem saber se é muito ou pouco, pois ele ainda não conhece a história. Após ficar por dentro dos fatos, o marcador vai subindo devagar até chegar quase ao topo. A Fé e o Coração ficam de mãos dadas como se estivessem fazendo uma corrente.)

IRMÃO 4: Como sabe, estou desempregado há quatro meses, ontem recebi a última parcela do meu auxílio desemprego, dei o dízimo e paguei o aluguel, luz, água e fiz uma compra de alimentos. Ai dividi o que sobrou entre missões e condução para eu continuar procurando serviço. (O Termômetro vai lá em cima todo feliz e o Coração fala:)

CORAÇÃO: Não falei! Sabia que hoje você esquentaria.

IRMÃO 3: Irmão, mas o que faz você dividir ao meio o único dinheiro que tem para dar na campanha de missões?

IRMÃO 4: Aí que tá irmão, guardo em meu coração a palavra que diz: “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver” Hebreu 11.1. Sei que Deus me abençoará por eu crer que Ele não deixa desamparado seus filhos. FÉ: Nossa, agora senti que me utilizarão com muito poder. Não falei Coração, só juntos é que funcionamos.

IRMÃO 4: Conheço este versículo, mas não sei se teria coragem de fazer o que você fez. Faço minha oferta para missões somente quando sei que não vai me atrapalhar monetariamente. IRMÃO 3: Então você não tem fé. Não se comove com as informações obtidas de outros países? Não se entristece ao ver tantos morrendo sem conhecer Jesus?

IRMÃO 4: Me comovo, mas estou sendo sincero com o irmão, primeiro penso no bem estar de minha família.

IRMÃO 3:Irmão, não existe maior bem estar do que paz no coração e convicção de que muitas pessoas poderão conhecer a palavra com a nossa ajuda.

IRMÃO 4: Eta irmão!, desse jeito você me convence a doar mais do que pretendia.

IRMÃO 3: E quanto você pretendia doar?

IRMÃO 4: Tenho até vergonha de falar depois que você disse que dividiu seu dinheiro.

IRMÃO 3: Então, se pode fazer uma boa oferta, não fique com receio, pois Deus lhe retribuirá, não conhece aquele versículo: “Não dê com tristeza no coração mais seja generoso; assim o Senhor nosso Deus abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer.“ Dt 15:10.

CORAÇÃO: Agora usaram a mim.

IRMÃO 4: Ouvi algumas vezes na Igreja, mas não sabia que existem pessoas com o coração tão bom quanto o irmão. Vou aumentar a minha oferta agora mesmo.

IRMÃO 3: Que bom! Sei que não se arrependerá. Pois Deus é fiel. Vamos para a igreja agora. IRMÃO 4: Antes preciso passar no caixa eletrônico. E a propósito sua filha melhorou?

IRMÃO 3: Se não fosse eu mesmo te contar, não acreditaria. Ela refez o exame e deu negativo. IRMÃO 4: Sério que benção!!!

IRMÃO 3: Pois é, só por Deus mesmo. Agora não preciso me preocupar com os remédios que eram caríssimos, ela até parou com os que estava tomando.

IRMÃO 4: Testemunha isso na igreja.

IRMÃO 3: Claro que vou, é só ter oportunidade. (Saem falando sobre missões)

IRMÃO 3: Me sinto tão bem ofertando para missões.

IRMÃO 4: Eles precisam muito. (Assim que eles saem, o Termômetro fica todo eufórico.) TERMÔMETRO: Vou esquentar, vou esquentar. Há, há, há!!!

CORAÇÃO: Não falei! Não sou tão venerável assim.

FÉ: (Para o coração) Somente com nós dois trabalhando juntos, não se esqueça. TERMÔMETRO: Você, o Coração e a Dona Oração, que aliás não apareceu hoje por aqui. CORAÇÃO: Xiiii, É mesmo ia me esquecendo dela. (Abraçando a Fé) Nós três somos infalíveis! TERMÔMETRO: Vamos deixar de papo e ir embora logo que vocês precisam agir em outra igreja. (Quando eles começam a sair, chega a Dona Oração correndo toda cheia de calor)

DONA ORAÇÃO: Olá crianças, cheguei atrasada?!

FÉ: Chegou Dona Oração, já terminamos por aqui.

DONA ORAÇÃO: É que eu estava em outra igreja e o pessoas de lá ofertavam tanto, tanto, que não tive tempo de sair mais cedo. E por aqui, como anda as ofertas?

TERMÔMETRO: Acho que vai dar para esquentar.

CORAÇÃO: (Abraçanda Dona Oração) Sabe Dona Oração, senti tanto a sua falta.

FÉ: Deixe de choramingar Coração e vamos embora logo que outra igreja nos espera.

DONA ORAÇÃO:(Fazendo manha) Espera ai pessoal, quero ver o pessoal ofertar.

FÉ: Ah, Dona Oração não vai dar, estamos atrasados e o pessoal precisa ficar à vontade. (Começam a sair novamente e a Dona oração resmungando)

DONA ORAÇAO: Mas eu queria tanto.

CORAÇÃO: E o meu versículo?! Pensam que esqueci!!!

TERMÔMETRO: Ah, é mesmo. (Convencido olha para a Fé) Você conhece Colossense 3:23-24? FÉ: (Mais convencida ainda, volta, sobe no palco, olha para a igreja e fala com ousadia) “O que vocês fizerem façam de todo o coração, como se estivesse servindo o Senhor e não as pessoas. Lembre-se que o Senhor lhes dará como recompensa aquilo que ele tem guardado para o seu povo, pois o verdadeiro Senhor que vocês servem é Cristo.

TERMÔMETRO: Gostou coração?

CORAÇÃO: Eu gostei, tem mais?

TERMÔMETRO: Um monte. Quer ouvir mais um?

FÉ: Pára de ser convencido Temômetro. (Saindo com comentários alegres)


DIRIGENTE: (Volta para o palco) Irmãos, esta foi um maneira alegre de dizer a vocês que nós podemos, pois Deus nos prepara para isso. Se orarmos com fé e com um coração verdadeiro antes de nossa oferta, os missionários serão enviados para pregar; e pregarão para que os povos ouçam, e ouvindo crerão, e crendo invocarão a Jesus o Senhor. Nós preparamos este culto especial para fazermos esta doação, pois além de estarmos contribuindo com recursos financeiro, estaremos fazendo nossa maior contribuição que é de estarmos juntos na luta contra a morte eterna e isso com certeza nos traz alegria.

domingo, 31 de agosto de 2008

Catequese e Dízimo



CATEQUESE E Dízimo, publicada em: 21/07/2008 - Pe. Jerônimo Gasques




As impressões sempre ficam arquivadas naquelas notas que selecionamos ou tomamos contato para a leitura. Muitas vezes, nos trabalhos de catequese, tanto em particular como em trabalhos de equipe verificamos certa falta de reparo pastoral de nossos catequistas em relação à opção pelo dizimo. O que segue é fruto-resultado de alguns encontros que promovemos com catequistas para falarmos sobre a importância do dizimo na vida da comunidade.
Vejamos estas respostas, em síntese, de alguns encontros com catequistas. Separamos as principais, pois algumas respostas não tinham sentido algum. Depois faremos algumas observações pertinentes às respostas para apreciarmos os conteúdos. Foi trabalhada a pergunta “o que é o dízimo para você?”. Melhoramos a redação de algumas respostas. As respostas dos grupos foram, aqui, enumeradas para facilitar a identificação. Veja a síntese:
1- devolver a Deus o que ele nos dá;
2- é uma forma de contribuição dos fies à paróquia;
3- é uma retribuição ao próprio Deus por tudo o que ele nos dá e que podemos repartir;
4- o reconhecimento do amor de Deus por nós;
5- devolver um pouco do muito que ele nos dá;
6- uma forma de agradecimento por tudo que ele nos concede;
7-Deus dá o trabalho para nós e devolvemos uma parte para o crescimento da comunidade;
8- é uma parcela de colaboração por tudo que Deus nos dá gratuitamente;
9- dízimo é uma contribuição espontânea dada de coração como dedicação a Deus;
10- dízimo também é o que você pode dar. Por exemplo: os dez por cento para quem pode e os que não podem um pouco daquilo que puder;
11- retribuição das bênçãos mensais;
12- é uma devolução a Deus daquilo que ele nos dá para manter a igreja;
13- não é só doar dinheiro, pode ser também doações através de cestas básicas ou do que o próximo estiver precisando;
14- uma parcela do pagamento que recebemos;
15- é uma contribuição à igreja para implementar melhorias e ajudar nas despesas;
16- através de nosso dizimo estamos cumprindo com nossa parte de responsabilidade para com a sobrevivência de nossa paróquia;
17- dízimo é um ato de amor a Deus por tudo o que ele nos dá. Retribuição;
18- é doação, não é sobra. É partilha;
19- poder colaborar com a igreja. Quem pode colaborar? Nem todos podem (!).
Gostaram das repostas?
A maioria delas nem passou de raspão nos textos bíblicos referentes ao dízimo. Isso denota a falta de preparação dos catequistas ao se entender o dizimo. Imaginem estes falando sobre o dízimo nos encontros de catequese!
A maioria é de repostas evasivas. Como que lançadas ao leu. Uma necessidade de simplesmente responder. Aqui, você faria um bom exercício tentando identificar aquela resposta mais interessada ao texto bíblico.
O que mais chamou a atenção foi a falta de referencia à Palavra de Deus. Em nenhuma resposta houve a preocupação de uma citação sequer. Isso se torna grave devido ao fato de que as respostas vêm de catequistas que, cuja função, seria de trazer a tona a Palavra de Deus na catequese ou nos encontros de catequese com feitio de formação. Podemos concluir que a catequese, na maioria das vezes, é simplesmente doutrinaria.
Mais ou menos podemos deduzir algumas conclusões.
Os grupos, também, expressaram certo derrotismo nas repostas (cfr. 10 e 19). Bem encaixada em algumas atitudes da maioria que assim pensa. A catequese sempre expressa àquilo que vai no coração do catequista. Com certeza, estes, não conseguiram fazer o caminho do dízimo em sua vida. Ainda guardam os mesmos sentimentos comuns da maioria dos católicos. Por terem chegado ao estagio de catequistas poderiam ser diferentes.
As respostas evasivas e sem contextualização são as mais comuns (cfr. 1,2,5,9,17,18). Para citar a maioria delas. Estas respostas não expressam nada de importante, apenas o que as pessoas, em geral, dizem quando abordadas para falar sobre o dízimo. São respostas que não afirmam nenhum compromisso com a comunidade. Nada se refere à experiência de Deus na vida cristã. As respostas expressam o contexto de desinteresse dos agentes de catequese.
Algumas se aproximam dos textos bíblicos sobre o dizimo (cfr. 1,3a,11). Isso é o máximo que podemos observar mas, ainda mesmo, com ressalvas. O grupo começava bem mas tinha que completar com um “e” indicando certa duvida na afirmação (cfr. a 3). Com certeza o grupo encontrou resistência ao firmar algo sumamente positivo. Faltava-lhe a convicção necessária para a opção madura. Podemos ate, inclusive, afirmar que a maioria não é dizimista.
Com este quadro, em mãos, podemos retirar varias conclusões e tomar algumas atitudes positivas da nossa situação. Para observar, verifique:
1- A catequese necessita de formação sobre o dizimo;
2- Os catequistas necessitam fazer a experiência do dizimo em sua vida cristã;
3- Ter (mais) convicção naquilo que abordam nos encontros de catequese com crianças e adolescentes;
4- Conhecer a Palavra de Deus no que tange ao dizimo;
5- Repensar a reflexão sobre o dizimo na vida da igreja;
6- Cuidar-se para não transmitir uma idéia derrotista sobre a participação na comunidade;
7- A fidelidade ao dizimo a todo custo. O dízimo pesa, certamente;
8- Retirar e observar os preconceitos sobre a questão dinheiro na igreja. A maioria sempre relaciona o dízimo com dinheiro;
9- Pensar diferente dos demais membros da comunidade quanto ao dízimo. Aqui esta a diferença;
10- Cuidar-se para não fazer do dízimo uma opção melancólica, triste e mesquinha;
11- Refletir o dízimo positivamente. O pior dizimista é aquele triste e sem expressão de contentamento pela oferta;
12- Crescer na experiência de Deus. Experimentar o dízimo de forma bíblica e não superficialmente;
13- Cuidar para que o dízimo na comunidade seja aberto e todos possam participar dos resultados. Nada do dízimo encruado, reservando o resultado somente para alguns. Necessidade de transparência na administração do mesmo;
14- Evitar em falar das dificuldades em colaborar para não se dar a idéia de coitadinho e que nunca pode colaborar na comunidade. Muitos se comportam assim;



O dízimo não tem limite. Ele sempre será eficiente na comunidade quando a mesma se dispõe a fazer a experiência de Deus. Quanto mais dizimo houver, mais coisas têm para se fazer (trabalho pastoral, pastoral social, liturgia, reformas e etc.).

domingo, 17 de agosto de 2008


CAMINHANDO COM O DÍZIMO NA BÍBLIA - Pe. Jerônimo Gasques

O dizimo esta na Bíblia de Gênese ao Apocalipse. É reconhecido como o Quinto Mandamento da Nossa Igreja. Por isso, sem dúvida alguma nada melhor do que entender que o dízimo é de origem Bíblica. Só podemos compreender um dízimo que tenha seu fundamento na Palavra de Deus. Assim entendido, desfazem-se duvidas sobre essa forma de doação, ou seja, a sua contribuição.
A Bíblia está cheia de referencias sobre o dizimo, as quais devidamente interpretadas nos revelam as promessas e as bênçãos que Deus deseja aos seus filhos.Destacamos a seguir alguns textos bíblicos referentes ao dízimo:
1. A essência da partilha “o fundamento do dízimo” (Gn 1,1-31);
2. As ofertas de Caim e Abel (Gn 4,3-4);
3. O sacrifício, o dízimo de Noé (Gn 8,20-22);
4. O dízimo de Abrão (Gn 14,17-22);
5. O dízimo de Jacó (Gn 28,20-22; Gn 35,1-7.14-15);
6. As leis: estar em dia, ser fiel a Deus (Ex 22, 28-31);
7. O dízimo de Moisés – a décima parte (Ex 25,1-9);
8. A construção do tabernáculo (Ex 35,1-29);
9. Os dízimos são propriedades do Senhor (Lv 27,30);
10. O dízimo que passa sob o cajado do pastor “a décima parte” é do Senhor (Lv 27,31-32);
11. A lei acerca das ofertas, a décima parte (Nm 15, 1-4);
12. A doação das primícias “os primeiros frutos” (Num 15,15-21);
13. Separar o melhor para Deus - Estipêndio dos Levitas (Nm 18,25-32);
14. A Lei do Santuário Único - local da doação do dízimo (Dt 12,6-11.14);
15. O dízimo incorporado à Lei (Dt 14,22-29);
16. As primícias e o dizimo (Dt 26,12-15);
17. As ofertas do dizimo – a décima parte (1 Sm 8,15-18);
18. A bondade da viúva de Sarepta (2 Reis 4, 1-4).
19. Ação de graças pelas oferendas (1 Cr 29,3-4 – 13-17);
20. As ofertas do dízimo – fraternidade e partilha (2 Cr 31,1-21);
21. A manutenção do culto, compromisso do cristão (Ne 10,33-40);
22. O dízimo de Tobias (Tb 1,6-8);
23. O Senhor é o bom Pastor, o Senhorio da nossa vida, de tudo (Sal 22,1-6);
24. Respeito com Deus, às primícias e o dízimo (Eclesiástico 7,31-35);
25. O dízimo nos leva a caridade, à compaixão com os necessitados (Pv 19,17; Eclesiástico 29,11-16);
26. Recompensas e bênçãos de Deus (Eclesiástico 35,1-20);
27. O dízimo e o amor de Deus (Am 4-4);
28. As promessas, o desafio e as bênçãos de Deus, muito além do necessário (Mal 3,8-12);
29. Mesmo isento e para não escandalizar, Jesus em sinal de amor e justiça, paga o imposto (Mt 17,23-26);
30. Jesus não desprezou a prática do dízimo (Mt 23,23). E acrescenta: Isso deve ser feito, mas nunca se despreze o preceito mais importante da lei, ou seja, o amor, a justiça, a misericórdia e fidelidade;
31. A multiplicação dos pães: “um sinal da partilha” (Lc 9,10-17);
32. A oferta deve vir com amor (Lc 18,9-14);
33. A conversão e a prática da justiça (Mt 23,23; Lc 11,42; Lc 19,1-10);
34. A oferta deve vir do coração (Lc 21,1-4);
35. Jesus dá exemplo de amor, fidelidade e justiça: “daí a Deus o que é de Deus e a César o que é de César (Lc 20,20-26)”;
36. Negar o dízimo não enriquecerá ninguém (At 5,1-11; Mt 6,19-23);
37. Obediência a Deus (At 5,29-33);
38. Sentido missionário do dízimo nos liberta para a paz (At 6,1-7; I Cor 16,1-3);
39. Mais bem aventurado é dar, do que receber (At 20,32-35);
40. O dízimo, a partilha e as primeiras comunidades cristãs (At 2,42-47; At 4,32-35; 1 Tm 6,17-19);
41. A tarefa de uma comunidade (Rom 7, 18 - Fl 2,13);
42. Homens e mulheres: fermento do Reino de Deus para a transformação do mundo (2 Cr 8,1-15);
43. O dízimo deve ser doado com alegria (2 Cor 9.6-12);
44. O sacerdote deve sobreviver do templo (1 Cor 9,12-14; Lc 10, 7);
45. Deus é fiel e supre nossas necessidades (Fp 4,19);
46. O sacerdote é quem deve receber nossos dízimos (Hb 7,5);
47. O dízimo atende três dimensões da Igreja: Religiosa, Missionária e Social (Tg 2,14-22; Tg 5,1-6);
48. Os lucros e as perdas da vida (Mt 25,31-46; Ap 20, 12-15);
49. Buscai em primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo (Mt 6,33).
50. Somos chamados a ser missionários do Reino de Deus (Mt 28,16-20).

Com esses textos sobre o dízimo, podemos ter as primeiras experiências Bíblicas sobre o dizimo. O dizimo nos leva a um desafio, uma promessa e as bênçãos. Faça a experiência, diz o Senhor dos Exércitos... Mal 3,10-12. Conhecereis a verdade, pois a verdade vos libertará (João 8,32). O dízimo é uma grande semente, para você semear Deus em seu coração.
O dízimo não é: Taxa, pagamento, imposto, mensalidade, colaboração, resto, ajuda, caridade, ato de piedade; nem Oferta ou Esmola.O dízimo é: Uma semente de bênçãos e prosperidade. É alma e a essência da partilha. É a devolução a Deus do que já é de Deus. É um dom. É vocação e missão. É um ato de fé, amor, obediência, partilha, fidelidade e compromisso com Deus, a Igreja e os pobres. “São os primeiros frutos, que devolvemos a Deus”.